Só o ser humano faz Arte

A Arte é mais que expressão pessoal ou uma forma de conhecimento, é um ato de criação e como tal, um ato de Amor.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

LEITURA


ler são farois erguidos no mar escuro de nossa ignorância de nossa alma.

domingo, 16 de outubro de 2011

cansaço



Estou cansada de tudo, não apenas de horários ou convenções.... cansaço da existência, cansaço de ser, de tentar ser algo e que uma energia, sei lá, alguma coisa impede de eu ser o que nasci pra ser .... qual a realidade disso, qual a necessidade disso na vida? por que uns querem e não podem e outros podem e não querem?



Estou cansada.... não quero nada, nada mesmo porque nem mais acredito que algo possa revigorar. Este mundo é falsamente real, é um engodo, um tabuleiro de peões onde, muitas vezes você nem sabe que peça é, que papel faz... e uma meia duzia de pessoas reais manipulando bilhões de seres, determinando o sofrimento ou nao deles. Não posso crer que nenhum Deus compactue com isso e que confirme: é o mundo é assim.... é castigo só.... o castigo purifica; purifica? e o Amor? Já que Deus é Amor, Universo é amor, tudo é amor até mesmo uma mínima particula e nós tão miúdos somos capazes de amar a ponto de dar a nossa alma, a nossa carne a quem amamos...como um Deus ou deuses podem inflingir um castigo de fazer doer mais que a alma, o próprio ser? Não posso crer... e também estou cansada das frases feitas que é assim mesmo, que vai dar certo, que é só uma fase! Arrre, que isso mata mais que um silencio, ou uma mão estendida...
Sim , hoje estou cansada, tão cansada até de estar cansada, tão cansada que cansa até descansar....não há nenhuma vontade, é só estar enquanto não se vai, enquanto não se pode ir!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SEDA PURA


Num balcão comum de feira, vários retalhos estavam expostos `a vista dos compradores. Diversas mãos passavam pelos tecidos, deixando escorrer por entre os dedos, as texturas lisas e ásperas de cada um. Uns mais coloridos, outros menos estampados. Aos olhares atentos e desatentos, um pedaço de pano azul simples de seda pura, passsava de lá para cá. Nada havia nele que chamasse atenção. Nem bordado, nem estampa, nem coisa alguma que o valorizasse com relação aos outros. Era um simples pedaço de pano azul.
As mulheres pegavam os tecidos colocando-os na frente do corpo, caindo pelos braços , em volta do corpo enviesadamente, até mesmo ao redor da cintura, como saia e compravam. Pediam, puxavam, pechinchavam, discutiam... e o mascate faliez de lado a lado, concordava com todas. O desejo dele era simples: vender todo e qualquer pedaço de tecido barato como se fosse renda brocada ou seda pura.
Quase toda a banca vendida, sobrava apenas em meio alguns pedação de algodão e chita, um pedaço de tecido azul, simples, puríssimo, mas nada o destacava dentre os demais.
Certo momento, passou alguém e pediu que pudesse ver, melhor, tocar, o pedaço de tecido azul. O mascate não reconheceu quem era e de cabeça abaixada, pegou o pano pedido, dizendo:
_ Já vou avisando – não dou desconto; está tudo em promoção, preço de ocasião, é para acabar.
_ O sr. fala sério? Indagou o comprador.
O vendedor levantou a cabeça e disse: - já vendi quase tudo, mostrando os bolsos cheios de dinheiro amassado. Tudo valia quase a mesma coisa e vendi tudo por mais, de acordo com o desejo e a cara do fregues.
­ E este, por quanto o senhor faz?
­ Dois reais o metro.... este debe ter no máximo um metro e meio, fica por 3 reais.
­ Está feito, três reais.
Enquanto embrulhava, o mascate percebeu que o comprador não tirava os olhos do pano, como que maravilhado. Reconhecendo o comprador como um dos melhores alfaiates do país, decidiu perguntar
_ Mas o senhor, exímio conhecedor de tecidos vem a uma feira destas em busca de que?
_ De nada em especial, apenas olhando, respondeu o alfaiate , pagando e abraçando o pequeno embrulho. Entretanto, o que o senhor me vendeu não tem preço.
_ Como assim? Quis saber o outro estupefato!
_ Este é uma pedaço de seda pura que debe ser datado do século 300 a.C. Valiosíssimo, perdido aquí no meio de tanto tecido barato , so bons olhos e mãos delicadas poderiam identificá-lo e valori-zá-lo. E foi o que aconteceu. E saiu com o seu pacote de seda pura, enquanto o outro apenas de boca aberta ficava pensando nos milhões que poderia ter ganho e esqueceu-se até de tanto dinheiro que já tinha faturado naquela feira.